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Obesidade cresceu em crianças e adolescentes brasileiras na pandemia

O número de crianças e adolescentes com excesso de peso aumentou no país entre 2019 e 2021, período que abrange a pandemia de covid-19.

Por Agencia Brasil em 23/11/2023 às 20:45:13

O nĂșmero de crianças e adolescentes com excesso de peso aumentou no paĂ­s entre 2019 e 2021, perĂ­odo que abrange a pandemia de covid-19. Segundo levantamento do Observatório de SaĂșde na InfĂąncia (Observa InfĂąncia - Fiocruz/Unifase), houve crescimento de 6,08% no grupo das crianças de até 5 anos de idade. Entre aqueles com 10 a 18 anos, o crescimento foi de 17,2%. O excesso de peso inclui tanto os casos de sobrepeso como os de obesidade.

Os dados do estudo são baseados no Sistema de VigilĂąncia Alimentar e Nutricional (Sisvan-WEB), ferramenta que monitora indicadores de saĂșde e nutrição. Segundo os pesquisadores, a diminuição de exercĂ­cios fĂ­sicos e o desajuste na alimentação são as principais explicações para os problemas de peso.

"A obesidade infantil e de adolescentes no Brasil ainda é uma grande preocupação de saĂșde pĂșblica. Apesar de observarmos uma queda nos Ășltimos anos, o Brasil ainda possui nĂșmeros acima da média global e da América Latina. Nos anos de pandemia, observamos um aumento nos Ă­ndices de obesidade infantil, possivelmente como consequĂȘncia do aumento no consumo de ultraprocessados durante o perĂ­odo de isolamento", explica Cristiano Boccolini, pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação CientĂ­fica e Tecnológica em SaĂșde (Icict/Fiocruz) e coordenador do Observa InfĂąncia.

Pós-pandemia

O cenĂĄrio começa a melhorar no perĂ­odo seguinte, entre 2021 e 2022, mas ainda com percentuais altos. O nĂșmero de crianças com excesso de peso teve um recuo de 9,5% e o de adolescentes queda de 4,8%. Em 2022, a taxa de crianças de até cinco anos com excesso de peso era de 14,2%. A de adolescentes estava em 31,2%.

O Ășltimo grupo é o que mais preocupa os pesquisadores do Observa InfĂąncia. Pelas anĂĄlises das séries históricas, hĂĄ uma tendĂȘncia de queda do problema entre as crianças, principalmente depois do perĂ­odo de isolamento. Mas entre os adolescentes, a queda aconteceu apenas entre 2021 e 2022. No longo prazo, a tendĂȘncia é de crescimento do excesso de peso.

A comparação com outros paĂ­ses mostra que a situação no Brasil é mais crĂ­tica. Aqui, em 2022, hĂĄ trĂȘs vezes mais crianças com excesso de peso do que a média global (14,2% no Brasil e 5,6% na média global). Sobre os adolescentes, a média nacional é quase o dobro da global: 31,2% contra 18,2%.

"Acreditamos que os altos nĂșmeros da obesidade infantil no Brasil devem muito à falta de regulação dos alimentos ultraprocessados no paĂ­s. A partir de outubro de 2023 passa a vigorar plenamente a nova rotulagem frontal dos alimentos industrializados, indicando os excessos de sal, gorduras saturadas e açĂșcares na parte frontal das embalagens. As crianças são muito suscetĂ­veis a esses produtos e acreditamos que a implementação dessa polĂ­tica terĂĄ algum impacto nos nĂșmeros de obesidade a partir deste ano", diz Boccolini.

"Este estudo serve como um chamado à ação para polĂ­ticas pĂșblicas, profissionais de saĂșde, escolas e famĂ­lias para redobrar os esforços na luta contra a obesidade infantil, garantindo um futuro mais saudĂĄvel para as crianças do Brasil."

Fonte: AgĂȘncia Brasil

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